The project “A ILHA” aims at studying three families of inmates, in the district of Oporto, victims of lack of companionship and deprivation. In this work, we seek relationships, insist on silence and identify the relationship between two realities divided by freedom. Therefore, we intend to reflect on the absence and on the loneliness present in the outside where the man was previously inserted. The project relies on experiences, people and places common to the imprisoned people who are waiting for the end of their sentence. The criminal act is punishable according to the principles of law. However, the family suffers the effects of confinement within the household. The house carries the delay of time, the places are mysterious and the silence is routine. The act of talking doesn’t exist, it remains pending. The conversations are dispersed, the subjects do not intersect, and the days change the order of their thoughts. With photography we observe carefully the human figure and its surrounding space, not only what is visible but also what is invisible. We intend to transfer to the image the “moment” which consciously is lost in the present, the crystallization and the union of “time-image” of the stopped clock that alerts us that in reality the flow of time keeps moving.

There is no-one, you hear silence but there are growing traces of someone who is absent at that moment. The loss of freedom represents a weakness that is not only physical and family-rooted but also social and emotional. The incarcerated body creates emptiness in the household, in the social and family environment.
The place of reunion arises. On the one hand, there are texts and testimonies in letter format written during the period of the penalty; on the other hand, we notice the absence of man incarcerated in the place he lived. Those are the traces of a man who awaits his sentence, traces of a family that waits for him, traces of a place.


(PT)
O projeto A ILHA tem como lugar de estudo 3 famílias de reclusos, presentes no distrito do Porto, vítimas da ausência e da privação.

Neste trabalho, procuramos as relações, insistimos no silêncio e identificaremos a relação existente entre duas realidades divididas pela liberdade. Assim, pretendemos refletir sobre a ausência e sobre a solidão presente no lugar exterior onde o homem estava anteriormente inserido. O projeto fala sobre vivências, pessoas, lugares comuns aqueles que na prisão esperam pelo cumprimento da pena. O ato criminal pune de acordo com os princípios da lei. Contudo, a família padece os efeitos da reclusão no seio familiar. A casa carrega consigo a delonga do tempo, os lugares são misteriosos e o silêncio é quase rotina. O ato de conversar não existe, resta aguardar. As conversas são dispersas, os temas não se cruzam, os dias cambiam a ordem dos seus pensamentos.

Não existe ninguém, ouve-se o silêncio, aglomeram-se vestígios de alguém que não está, naquele momento. Com este trabalho, propomo-nos a observar durante o período da pena, de que forma a família e o lugar se alteram (ou não) com a reclusão familiar provocada pela perda de liberdade do Homem. A perda de liberdade representa uma fraqueza: física, familiar, social, emocional. O corpo recluído cria um vazio no lar, no espaço social e familiar.

Surge lugar de reencontro. Por um lado textos e testemunhos em formato de carta escritas durante o período da pena, por outro a ausência do homem recluído no lugar que ele habitava.

Vestígios do homem que aguarda o cumprimento da pena, vestígios de uma família que o espera, vestígios de um lugar.