Cheguei ao campismo no primeiro dia do festival e deparei-me com dois cenários. Primeiro o meu, híbrido, cansado mas excitado, o suor umas vezes quente, outras frio. De seguida, a imensidão de pessoas e imagens que iam surgindo passo a passo. Era até aquele momento luz por luz. Ficamos instalados no campismo (longínquo), decoro o caminho até ele e sigo para o recinto do festival. Sinto que me vou perder a orientação é escassa. Viajo em direção à multidão, não aguentando mais a minha dificuldade atroz de estar parado. Quero pessoas, quero olhares. Só peço para que as luzes do palco iluminem os rostos e rasguem a silhueta perfeita do artista. Não consigo parar de ver imagens e fotógrafo, aliviando a tensão frenética dos músculos. Continuo a fotografar à velocidade a que me permitia. Era demasiada informação para processar, exercício lógico do pensamento, que me questiona a minha presença. Porque estar aqui é diferente. Quero ansiosamente a proximidade com o olhar e avanço até onde quero. Nas fotografias de Paredes de Coura sou visível no invisível. Criei a minha viagem pelas fotografias. Imaginei-me neles, utópicos sonhadores. E termino na noite. Onde tudo é romântico, até o pó.

Rafael Farias Sobre “Vodafone Paredes de Coura 2017”